Disfagia 

Se você perceber que uma pessoa apresenta dificuldade ao engolir, deixou de sentir prazer ao comer, passou a sentir vergonha de comer perto de outras pessoas, perdeu peso sem nenhuma causa aparente, mudou seus hábitos alimentares, deixando de comer certos alimentos por medo de engasgar, tosse, pigarreia ou engasga com frequência durante as refeições ou com a saliva, tem sensação de algo parado na garganta, notar cansaço, febre, rouquidão ou restos de comida na boca após a alimentação, cuidado!

 

Você pode estar diante de uma DISFAGIA...

 

A disfagia é uma alteração ou dificuldade que ocorre no transporte do alimento da boca até o estômago, ou seja, dos mecanismos de deglutição orofaringoesofágica decorrente de comprometimento fisiológico e/ou anatômico.

Pode levar à desnutrição, desidratação, broncoaspiração, asfixia, pneumonia aspirativa e óbito, além de aumentar o tempo de hospitalização, comorbidades e custo quando não diagnosticada e tratada.

A disfagia compromete a saúde e a qualidade de vida da pessoa.

 

Os problemas mais frequentes que podem interferir na deglutição são:

1. Doenças neurológicas

- Acidente vascular cerebral (AVC, AVE ou derrame).

- Traumatismo cranioencefálico (TCE).

- Tumores cerebrais.

- Doenças degenerativas: Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), Doença de Alzheimer, Doença de Parkinson, Demências.

- Esclerose múltipla.

- Paralisia cerebral (encefalopatia crônica infantil não evolutiva).

 

2. Tumores de cabeça e pescoço

 

3. Distúrbios musculares

- Miopatias.

- Miastenia gravis.

- Distrofias: distrofia muscular progressiva.

 

4. Alterações decorrentes de procedimentos médicos e/ou cirúrgicos (fatores iatrogênicos)

- Uso de medicamentos que podem aumentar ou diminuir a produção de saliva ou alterar a sensibilidade e/ou o tônus muscular.

- Cirurgias de cabeça e pescoço.

- Longo período de intubação.

- Radioterapia.

- Traqueostomia.

 

Fatores de risco e sinais de disfagia

Existem algumas situações ou condições que, dependendo da pessoa, podem criar dificuldades para uma deglutição eficiente. Algumas dessas situações não necessariamente indicam que a pessoa tenha um distúrbio da deglutição. São os fatores de risco para a deglutição. Outras situações, observadas durante e/ou após a alimentação , podem indicar alterações relacionadas à deglutição. São sinais de disfagia. Preste atenção em algumas dessas situações:

 

Antes da alimentação:

- Rebaixamento dos níveis de atenção e alerta.

- Falta de controle da cabeça e/ou do corpo.

- Ausência de dentes.

- Mal adaptação da dentadura.

- Alteração da saliva (excesso ou ausência).

- Controle de saliva (baba).

- Paralisia facial.

- Presença de traqueostomia.

 

Durante a alimentação:

- Dificuldade de mastigar.

- Dificuldade para manter os lábios fechados durante a deglutição.

- Presença de movimentos involuntários e repetitivos da língua e da mandíbula.

- Dificuldade de engolir o alimento.

- Tosse e engasgos frequentes com o alimento.

- Escape nasal do alimento.

 

Depois da deglutição:

- Cansaço.

- Restos de comida na boca.

- Pigarro.

- Mudança na voz.

- Odor na boca por fermentação de alimento.

- Soluço frequente.

- Febre sem causa aparente.

 

Dicas para uma boa deglutição

- Prefira comer em um lugar sossegado.

- Concentre-se durante a sua alimentação.

- Evite conversar durantre a alimentação, principalmente quando estiver com a comida na boca.

- Não tenha pressa para comer, mastigue bem os alimentos.

- Nunca coma deitado (a não ser que o seu médico ou fonoaudiólogo o oriente).

- Coma sempre sentado, com os pés e braços apoiados. Erga a cabeceira da cama durante a alimentação.

- Mantenha a cabeça e o tronco o mais ereto possível.

- Se a sua dentadura estiver solta, retire-a durante a alimentação e evite alimentos que precise de muita mastigação.

- Engula toda a comida antes de dar uma nova mordida, ou nova colherada / garfada ou tomar líquidos.

- Evite misturar alimentos de consistências diferentes em uma mesma colherada / garfada.

- Faça sempre a higiene oral após a alimentação.

- Para diminuir o risco de refluxo, permaneça sentado ou com a cabeceira elevada por pelo menos 30 minutos após a refeição.

- Siga sempre as orientações de seu médico e fonoaudiólogo.

 

Tubero e col. 2003. Disfagia: O que é? Guia de informação e orientação dos distúrbios da deglutição.

Folder de Disfagia

Folder_disfagia.pdf (2,2 MB)